quarta-feira, novembro 07, 2007



Esquecia-se desatradamente que ninguém é de ninguém...
Seu grito era seco, como o grito de quem não espera salvação. Raíz cortada pra sempre.
Superava sua dor e seu medo. Sentido já não havia há muito tempo, abrira mão de tudo isso... Se perguntava se permitiriam que sentisse tudo o que sentia... Se perguntava se lhe era permitido viver tudo o que queria viver... Futuro era promessa doce... Mas que pena! Sempre quebrava suas promessas no ultimo instante, pois seu espírito se afugentava febril, renunciando a eternidade que lhe ofereciam... Sentido mesmo não havia nenhum... Recusava-se a ter lógica... Atos perdidos, gentilezas esquecidas e insultos ignorados... Quis tanto, tanto, tanto acreditar no que sentia...
Quis tanto entregar seu coração, mas pensando - ou sentindo - bem, deveria renunciar a esse ato humano e mortal. Sem razão nenhuma. Tão complicado por ser tudo tão simples...
Eu te deixo me deixar pra sempre... E o coração reclamava cansado...
Prisão era a liberdade e liberdade era prisão. Vício doloroso.

Renata Lôbo

Um comentário:

Diógenes disse...

Muito rico... “Eu te deixo me deixar para sempre”, “Prisão era liberdade e liberdade era prisão”. Lindo, lindo...