quinta-feira, novembro 13, 2014



... É assim, a gente se isola, se inibe, se afasta. E finge que está tudo bem. Finge que a escuridão ainda está longe, há milhas e léguas, afinal, eu tenho um pequeno sol que me aquece nessas noites muito frias. Vamos continuar como se tudo estivesse igual. Finge que o peito não chora, que a distância e a indiferença não machuca, não apavora. Se eu risco o chão e digo ‘esse é limite’, você aceita minha imposição e me deixa com minha lógica inquestionável. Nunca discuta com a loucura, ela sempre vai ganhar. É que a lógica desses dias me explode com suas verdades certas. É claro que eu posso errar, nenhum ser humano está isento do erro. E eu erro. E não volto atrás. Porque voltaria? Porque eu olharia para trás se não há mais nada ali para mim? Porque voltar se eu não existo lá? Não existo também aqui. Não existo em lugar nenhum. Direita ou esquerda? Ainda estou tentando achar minha bússola. Finge que eu não estou fingindo. Eu sei o caminho, eu sei a rota mais curta, a menos perigosa. Brinca comigo que a verdade existe em algum lugar. Brinca comigo que a vida não tá me machucando. Que eu não tô me isolando, porque eu sei bem que o caminho fica escuro e impossível sozinha. Finge que nada disso está acontecendo de novo. Finge que o ódio não tá me acompanhando e me esmagando, esmagando a alegria que eu não sou. Finge que acredita no meu sorriso e que eu sou alguém importante e especial. Finge que eu não tô caindo de novo, e que eu não caí naquela armadilha que eu mesma desenhei. Finge que as palavras não fugiram de mim me deixando sozinha na escuridão sem letras. Finge que eu não estou aqui tentando dar sentido para tudo que não tem sentido, que eu não te assusto porque minha escuridão está sob controle. Finge que eu não estou desgovernada nesse abismo que eu finjo linha reta e me diz que  todo o resto é balela. Finge comigo que não estamos fingindo tudo isso, toda essa conversa que nunca vai acontecer, todo esse sonho que eu nunca vou sonhar porque eu sei que me é proibido. No caminho violento das emoções eu estou em busca de algo que eu sei impossível e inatingível. Finge que eu não me importo. ...

Um comentário:

Nathália - disse...

Maravilhoso.