quarta-feira, abril 29, 2009

Calma



Fique e veja até onde vou.
Vou longe e para nunca mais voltar.Caminhando com meus próprios pés no caminho que escolhi a dedo. Sou exigente e me mato apenas por capricho. E depois ressuscito, linda e solta no mundo que me pertence, e que absorvo com as palmas das mãos. O mundo cabe aqui e não julgo o interminável cansaço de existir.
Não sou um resumo, sou milhões de outras coisas que você nunca entenderia.
Se eu contasse... Mas nunca lhe contaria. Pois que eu desnudasse minha alma, terminaria me perdendo nesse imenso labirinto que sou e me sufocaria sem proteção pelas minhas ervas daninhas que cultivo com tanto carinho para te manter longe. Eu seria minha própria armadilha, meu próprio veneno. E minha cura. Nada me salvaria de mim a não ser eu mesma. E sendo assim, te deixo sem proteção nenhuma de mim, por me importar e por não me importar.
Te firo e te beijo.
Te sangro e te curo.
Com carinho psicótico e doentio.
E depois vou embora.
Te deixo despedaçado sob lençóis frios.
Tenho meu coração em minhas mãos.

Renata Lôbo

2 comentários:

dand[angel]black disse...

O que dizer Renata?
Mais uma vez me perco nos teus textos...

Inês disse...

Oi, Renata, adorei sua poesia!
Abraço...